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«Ser Hóstias vivas em corpo e alma»

Eis que a nossa mãe Igreja nos oferece um tempo forte de preparação, para o acontecimento mais importante da vida cristã, a Páscoa. Só à sua luz se pode dar um novo sentido às nossas cruzes diárias e à própria Cruz de Cristo. É tão consolador saber que estas não têm a última palavra... e que Jesus lhes deu a nova dimensão de Redenção, ao associar-nos à sua Paixão, Morte e Ressurreição.

Para dizer-vos algo deste tempo favorável, sempre com um olhar contemplativo Concepcionista, fixo-me nessa palavra de Jesus: «Se alguém quiser seguir-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me» (Lc. 9, 23). Falar de quaresma é falar do mistério da Cruz... mistério que se desvenda na vida de cada ser humano, mistério que ou nos esmaga ou nos eleva, nos afunda ou nos levanta, nos pesa ou serve de apoio para o caminho. Só seguindo Jesus, perceberemos a profundidade do Amor que transforma a cruz em instrumento de salvação. Só fixando o olhar e o coração em Jesus crucificado e acolhendo a Maria, nossa Mãe, que permanece de pé no meio da maior dor, se aprende a abraçar e amar a própria cruz.

Para a alma contemplativa Concepcionista este é um tempo muito fecundo, em que a oração comunitária e pessoal é alimentada pelo livro sempre aberto da Paixão do Senhor, ilustrado pelo silêncio e a celebração da via-sacra diária. O espírito de penitência e mortificação ocupa um lugar privilegiado na nossa forma de vida como chamada a uma maior perfeição evangélica, expressando-se na simplicidade da fidelidade às pequenas ou grandes tarefas de todos os dias, numa abertura sempre mais plena à Vontade de Deus em cada momento, na entrega generosa: da capacidade de amar, do desejo de possuir e da liberdade de dispor da própria vida (C. G. 13).

Sendo, Jesus Redentor, o mestre, o modelo e o esposo da alma Concepcionista, a nossa vida é vivida em oblação pessoal à Sua imitação (R.2). A melhor forma para viver nesta dinâmica de vida é sem dúvida a Eucaristia, a escuta mais atenta da Palavra de Deus, a oração assídua e a caridade mais diligente para com o próximo. Mas o aspecto que mais salienta a nossa Regra de vida é o jejum, sempre numa perspectiva de abertura ao Outro e aos outros. Referindo-se não só a um jejum corporal, mas especialmente espiritual no desenvolvimento de determinadas virtudes, tais como: a caridade acima de tudo, a fé firme, o serviço maternal, a benignidade, a pureza de coração, o silêncio interior e exterior, o espírito de oração, o recolhimento, a espera paciente, a humildade nas tribulações, a aceitação alegre dos padecimentos desta vida. É sem dúvida uma forma exigente de ser e estar na vida. Mas é interessante perceber que a generosa penitencia que nos é pedida, sempre unida à oração, começa por ser formulada pela positiva: “...crescer sem cessar, nas santas virtudes, afastar-se de todo o mal e pecado, fazer sempre o bem... nisto consiste a verdadeira penitência da Concepcionista.” (C. G. 88) Tudo isto para crescer no amor para com Deus e os irmãos; tudo isto para viver como filhas de um mesmo Pai e irmãs entre nós e de todos os homens. Eis portanto a nossa oblação, a nossa entrega diária em união com Cristo, procurando ser “hóstias vivas em alma e corpo” (R.2) no desejo ardente de partilhar a própria vida para que a Páscoa de Cristo chegue a ser celebrada, vivida e amada em mais corações.

Irmãos, Deus atinge-nos, neste tempo de graça, de mil formas para nos tornarmos dóceis ao seu plano de Amor. Só no silêncio do coração e da oração se perceberá o caminho pessoal que Ele quer fazer connosco. Maria, que assim viveu, nos levará pela mão.