Centenário da Beatificação de Santa Beatriz da Silva
- Monjas Concepcionistas Franciscanas
- 3 de ago.
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Hoje, dia 28 de julho, celebramos os 100 anos da beatificação da nossa Fundadora, Santa Beatriz da Silva. Damos graças ao Senhor por ter concedido à Igreja e, de modo especial, a nós, Concepcionistas Franciscanas, a santidade desta mulher de grandes virtudes, que soube acolher o dom da vocação: esse grande mistério de amor entre um Deus que chama e um ser humano que Lhe responde livremente e por amor.
A nossa Fundadora foi beatificada e reconhecida como uma estrela que resplandece junto da Lua, a Imaculada. Do Céu, continua a ser exemplo e intercessora para todos aqueles que, nesta terra, navegamos pelo mar da conversão. A memória desta mulher permaneceu viva no coração das nossas irmãs até ao dia da sua glorificação, mais de quinhentos anos após a sua morte.
Entre as muitas irmãs que lutaram e se empenharam para que a vida de Santa Beatriz fosse reconhecida, recordamos de modo muito especial a Venerável Madre Teresa de Jesus Romero, que soube unir a Ordem para que todas, com um só coração e uma só alma, trabalhassem pela glorificação da nossa Fundadora. Numa das suas cartas exprimia assim o seu grande desejo:
«Minha Mãe, vós resplandeceis como uma estrela fulgurante nessa morada, enquanto aqui, no mundo, permaneceis sepultada sob as cinzas do esquecimento. Estou disposta a trabalhar quanto puder, procurando prestar-vos a honra que mereceis e para que Deus seja glorificado em vós.»
E acrescenta ainda:
«Estou certa, minha amada Mãe, de que no coração de todas as Concepcionistas que amam a Ordem com amor sincero palpita um vivíssimo desejo de ver a sua insigne Fundadora venerada nos altares; e este é o importantíssimo assunto que nos ocupa.»(Carta 1, 30/01/1902)
Que o testemunho da nossa Fundadora e o zelo das nossas irmãs nos ajudem também hoje a renovar o nosso amor à Ordem e o sincero desejo de caminharmos juntas pelos caminhos da santidade.
Santa Beatriz, dócil ao chamamento do Espírito, compreendeu que a santidade não floresce no isolamento, mas na comunhão. A primeira comunidade concepcionista foi um verdadeiro jardim de fraternidade, onde cada irmã ajudava a outra a percorrer o caminho da santidade. Disso são testemunho a perseverança das primeiras companheiras e a sua coragem para conservar e manter vivo o legado recebido da Fundadora, cultivando um profundo sentido de pertença à comunidade e ao carisma que partilhavam.
Como recorda São João Paulo II, o carisma dos fundadores é «uma experiência do Espírito transmitida aos discípulos para ser vivida, guardada, aprofundada e constantemente desenvolvida» (Vita Consecrata, 37).
A fidelidade das primeiras irmãs manifestou-se precisamente na consciência de que o dom recebido não lhes pertencia individualmente, mas constituía um tesouro confiado à comunidade para ser transmitido às gerações futuras.
Também hoje nós somos herdeiras da santidade de Santa Beatriz e do testemunho das irmãs que nos precederam. Compete-nos acolher com gratidão o património espiritual que recebemos e mantê-lo vivo, com a confiança de que é o Espírito Santo quem nos guia e sustenta, garantindo a fidelidade e a fecundidade de um carisma que continua ao serviço da Igreja e da construção dos novos céus e da nova terra.
Tudo isto só é possível se vivermos na comunhão da Santíssima Trindade, em unidade com a Igreja, em comunhão com a Ordem e numa profunda união fraterna com cada irmã da nossa comunidade. É nesta rede de relações, tecida pelo Espírito, que o carisma se fortalece, a fraternidade floresce e a santidade se torna um caminho partilhado.
Artigo original: Federación Santa Maria de Guadalupe



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