Santa Beatriz da Silva

Uma vida para Deus, em honra de Maria Imaculada

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Ninguém é por acaso...

Santa Beatriz da Silva nasceu na vila Alentejana de Campo Maior, por volta do ano 1437. Os seus pais, D. Rui Gomes da Silva e Meneses, alcaide-mor de Campo Maior e conselheiro do Rei D. Duarte e D. Isabel de Meneses, tiveram treze filhos que educaram primorosamente. Da sua infância e juventude a história não salienta nenhum facto mas, sabe-se pela história de casa dos Silvas que era uma família nobre pelo sangue e mais ainda pela sua vida de piedade e vivência cristã.

Um combate de nobreza...

Quando a Princesa D. Isabel contraiu matrimónio com D. João II de Castela escolheu Beatriz para uma das suas damas. Na corte de Castela, a sua deslumbrante formosura, foi causa de muitas disputas e ciúmes entre cavaleiros e nobres que pretendiam a mão da honesta Beatriz. 

As injustas calúnias que levantaram contra ela fizeram crescer na Rainha certos ciúmes, que a levaram a odiar aquela que antes tanto admirava.

Para se ver livre da suposta rival, encarcerou Beatriz num cofre de ferro, que se encontrava no subterrâneo do palácio. A inocente vítima, na obscuridade do cofre, sentindo a morte a aproximar-se e vendo perdidas todas as esperanças humanas de salvação, voltou-se para a Mãe do Céu a quem sempre votara sincera piedade. A tão fervorosa oração acudiu a Imaculada, aparecendo-lhe com o Menino nos braços. Livrou-a da asfixia mortal e revelou-lhe a missão a que Deus a tinha destinado: a Fundação de uma Ordem em honra da sua Imaculada Conceição.

Quando no fim de três dias a rainha foi certificar-se da morte de Beatriz não coube no seu espanto ao ver que ela estava viva e mais admirada ficou ou saber da sua resolução de abandonar os prazeres e honras da corte para se recolher num mosteiro.

À espera de missão...

Beatriz, mulher de grandes decisões, procurou preparar-se rápidamente para a nova vida que ia começar. Com um pequeno séquito percorreu as léguas que separavam Tordesilhas de Toledo.

Quando chegou a Toledo, deu entrada no Convento de S. Domingos - O real. Aqui viveu durante trinta anos, uma vida austera e disciplinada, de intensa oração, penitência, humildade e pobreza. Apesar de não ser religiosa, pois não emitiu os votos vivia como se o fosse.

A sua devoção a Nossa Senhora, especialmente no mistério da sua Imaculada Conceição, foi sempre aumentando; ardia em desejos de A Imitar e fazer algo de grande para estender o seu amor por todo o mundo. 

Ao entrar no Mosteiro, decidiu que nenhum mortal haveria de ver o seu rosto e cobrio-o com um véu branco que só tirava quando a Rainha, já arrependida, a visitava. 

O momento de ir até ao fim... 

Ao fim de trinta anos de paciênte purificação e intenso crescimento espiritual, a Santíssima Virgem revelou-lhe chegar a hora, tão suspirada, de fundar a Ordem que lhe pedira. 

Ao saber dos planos de Beatriz, Isabel, a Católica (filha da que a tentou matar), quis colaborar com ela e prontificou-se a ceder parte dos edifícios dos Palácios de Galiana, para a fundação do novo Mosteiro. 

A partir de 1484, Beatriz passou a viver nesta casa com doze jovens que se deixaram cativar pelo seu ideal de consagração ao Senhor, honrando a Imaculada Conceição de Maria. A aprovação foi-lhes concedida pelo Papa Inocêncio VIII no ano 1489. Beatriz rejubilou com a notícia da aprovação da Ordem mas esta alegria foi breve pois o barco que transportava a preciosa Bula naufragou. Beatriz não desanimou e com uma grande fé rezou confiadamente três dias e três noites diante do sacrário. Ao fim desses dias, ao procurar um determinado objecto num baú, qual não foi o seu espanto ao encontrar a Bula Pontifícia! Este documento encontra-se em Toledo, no Convento das Concepcionistas. Mas as provações de Beatriz não ficaram por aqui... 

Ela ultimava os preparativos para, enfim, professar com as doze jovens que a acompanhavam, quando a Virgem Imaculada lhe apareceu dizendo: «Não é da nossa vontade que gozes na terra o que tanto desejas, dentro de dez dias virei buscar-te...». Vendo os seus planos desfeitos, Beatriz abandonou-sde tranquilamente à vontade de Deus e já no leito, prestes a morrer emitiu os votos religiosos tornando-se a primeira Concepcionista. 

Dois factos extraordinários acompanharam a sua morte. Quando, para administrar a Santa Unção lhe levantaram o véu que sempre trazia, o seu rosto irradiava tanta luz que iluminou o quarto. Na fronte... apareceu uma estrela! A marca deixada pela estrela no crânio de beatriz ainda se pode ver nos seus restos mortais. 

Com a morte de Beatriz as doze jovens que a acompanhavam, depois de muitas tribulações e controvérsias mas com o apoio vigoroso dos Frades Franciscanos, professaram tomando hábito branco e o manto azul como a Santíssima Virgem tinha indicado a Santa Beatriz, aquando da sua aparição. Se as obras de Deus são sempre seladas pela cruz, também a Ordem que estava no início sofreu tais contradições que quase a levavam à extinção. Mas após um período conturbado, com auxílio divino, conseguiu crescer e espalhar-se por diversas partes do mundo sendo a primeira Ordem contemplativa no Continente Americano, na época dos Descobrimentos. 

Com fama de santidade...

Ainda em vida, Beatriz era tida como uma mulher de grande virtude, "como pessoa que gozou de protecção divina, especialmente, do amparo da Santíssima Virgem". Logo que morreu começaram a atribuir vários milagres à sua intercessão. Passou a ter culto público, culto esse que se estendeu aos nossos dias. 

 

Visto que era tida por todos como Santa, não houve pressa de instaurar o processo de canonização para o reconhecimento oficial da sua santidade. De facto, depois de várias vicissitudes, só em 1926 foi beatificada por Pio XI e canonizada pelo Beato Paulo VI, a 3 de Outubro de 1976.