Eu sei nas mãos de quem me entrego

 

Sou natural da freguesia de Gemeses. Somos 8 irmãos e nasci numa família cristã. Desde pequenos fomos inseridos na vida da Igreja e rezávamos o terço todos juntos em família. Fiz a primeira comunhão com 5 anos e já sabia a doutrina toda porque ia com as minhas irmãs mais velhas à catequese.

 

Desde pequenita, sempre que via as freiras encantavam-me! Ia com a minha avó ao fim de semana à praia e via as irmãs com as meninas do colégio mas sempre pensei que aquela vida não era para mim. Nessa altura nunca pensei em ser religiosa!

Lembro-me que quando a minha mãe se magoava em alguma coisa, dizia sempre: pelas benditas almas do purgatório e pela conversão dos pecadores. E sem dar conta, fui crescendo e aprendendo a oferecer tudo a Deus. Os sacrifícios ajudaram-me sempre a uma união mais profunda e com o tempo, fui dando cada vez mais importância à renúncia pela salvação das almas.

 

Quando era adolescente pertencia à PREJAC (juventude da ação católica) e celebrávamos a festa de Santa Inês, que era a padroeira, e na altura andavam a divulgar muito a vida de Santa Maria Goretti porque tinha sido canonizada há pouco tempo. O testemunho de pureza destas duas santas tocou-me muito, de entregar-me ao Senhor, ser toda para o Senhor! Isto entusiasmou-me e fui buscando mais e tentando saber mais sobre esta vida. Algumas raparigas da minha terra também se quiserem entregar ao Senhor e isso questionou-me. Fiz alguns retiros e ia falando com o meu pároco. Andei muito tempo a pensar nisto mas não dizia nada a ninguém.

Só aos 21 anos é que pedi aos meus pais e eles nunca se opuseram. O meu pai custou-lhe um pouco mais, porque ia ter menos ajuda para trabalhar nas terras, era esse o nosso sustento. Mas lá me deixaram… Falei com a superiora das irmãs de S. José de Cluny para entrar no Noviciado mas tive de esperar até ter os exames que me faltavam porque não recebiam ninguém sem ter os estudos completos. Depois, lá fui para o Porto começar o Postulantado, ajudava num lar enquanto estudava. Terminada esta etapa, fui para o Noviciado em Braga.

Entretanto adoeci e fui para casa.

Quando estava em casa, convidaram-me para ir trabalhar para a cozinha de um colégio e eu não me importei nada, pois morria de saudades das irmãs. Sofri muito nessa altura!

Depois trabalhei também numa casa em Lisboa, e um senhor deu-me uma estampa das irmãs Concepcionistas e eu guardei-a. Escrevi para as irmãs de Campo Maior e, sem saber de nada sobre a vida contemplativa pedi para entrar. Elas aceitaram-me! Não sei como tive coragem nem ainda sei bem como consegui. Não conhecia nada, quase não saía e não percebia nada da vida religiosa contemplativa. A única coisa que eu queria era ser toda do Senhor!

A irmã que me atendeu, disse-me que a vida contemplativa era muito austera e pôs-me a coisa muito negra. Eu respondi: Se me recebem eu estou pronta, eu sei nas mãos de quem me entrego.

No dia 31 de Outubro, parti de comboio em direção a Campo Maior. E no dia 1 de Novembro, entrei às 7:30h da manhã com dois embrulhos e duas malas em cada mão. Fiz o Noviciado um tempo em Mérida (Espanha) e outro tempo em Campo Maior. Professei e vim para a fundação em Viseu.

Dei-me toda ao Senhor e à comunidade, tanto no espiritual como no material. Dei-me toda sem reserva! Sempre fiz tudo para Nosso Senhor.

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