ESTÁ NA HORA!

Arrisco-me a comparar a vocação a um tesouro escondido que espera ser encontrado… mas para isso são importantes as pistas e os sinais que Deus vai colocando na nossa vida…

Nasci no seio de uma família cristã e tive a graça de ser batizada no dia de S. Francisco de Assis (4 outubro), ele que é um santo muito querido na minha terra por serem há muito tempo os Franciscanos os responsáveis pela Paróquia. Vivi uma infância e adolescência muito normais, mas claro, marcadas pelas coisas próprias de cada idade, e pelas descobertas que são necessárias fazer. Logo desde pequena, e surpreendentemente por influência do meu irmão, entrei para os Escuteiros, que foram um sustento na fé e um grande pilar para a minha formação humana, principalmente pela experiência da vida em comunidade. Mas ao longo destes anos, dou graças a Deus principalmente pela presença e proximidade dos meus pais, e pela sua fidelidade cristã, que tanto me ajudou a permanecer fiel.

Contudo as pistas de Deus tornaram-se mais claras e evidentes no secundário, nomeadamente no 11º ano. Nesse ano fiz o Crisma, e como preparação para esse Sacramento, os catequistas procuraram mostrar-nos, através de encontros, actividades e retiros, algumas formas de serviço na Igreja, e entre muitas realidades fomos, no Sábado Santo, visitar as Irmãs Concepcionistas Franciscanas, no Monte Estoril… para mim tudo era tão novo, tão diferente daquilo que conhecia… tudo me era desconhecido… mas os sorrisos, a alegria e os testemunhos das Irmãs contagiaram-me até ao mais profundo do meu coração, de tal maneira que não o conseguia expressar, especialmente por se reconhecer na simplicidade das suas vidas o grande desejo de caminhar com Maria Imaculada para Jesus e, unidas pela força da oração, procurarem chegar às necessidades mais urgentes do mundo.

Simultaneamente com o percurso de preparação para o Crisma, na escola descobri uma amiga muito importante que me despertou para o desejo de ser toda de Jesus no concreto da minha vida, e não apenas em certos atos religiosos… e diria que o presente de Crisma que ela me ofereceu foi a grande seta a orientar-me para o tesouro escondido que Jesus me queria fazer descobrir.

Entretanto, no meio de tantas outras atividades, proporcionaram-se mais alguns contatos e encontros com as Irmãs, nomeadamente no verão desse mesmo ano tive a oportunidade de fazer uma semana de experiência no Mosteiro de Viseu (visto que os dois mosteiros ainda estão associados)… foi para mim uma semana cheia de uma paz e de uma alegria profundas, sinal da presença amorosa de Jesus e materna de Maria… e como foi difícil regressar a casa… mas naquele momento a vontade de Deus era que eu terminasse o secundário. contudo foi um ano muito bonito, apesar das dificuldades: pela experiência de dar catequese, pela grande experiência de participar nas JMJ na Polónia, pelas relações fortes de amizade que criei, por tão belos acontecimentos na minha família… tantas coisas… E tudo isto me ajudou muito a crescer e a ganhar mais estrutura para que a minha entrada no Mosteiro fosse uma decisão mais firme e consciente.

No fundo, aquando da minha entrada e ao longo deste ano de Postulantado, foi-me sendo confirmado o local onde está escondido o tesouro da minha vocação. Mas terei a vida toda para descobrir e contemplar nesse tesouro, a pérola mais radiante e preciosa que pode existir, que é o próprio Jesus Cristo. E tenho vindo a reconhecer que não há melhor Mestra no caminho senão Maria Imaculada, a Pastora que orienta todas as ovelhas que Lhe forem confiadas para o louvor eterno do Deus Amor!

Irmã Inês Isabel de Maria Imaculada, OIC

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